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EM RESUMO
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Imagine uma pequena ilha japonesa onde se chega não para admirar fábricas fumegantes, mas para descobrir instalações artísticas surgindo das campos de arroz, alguns Ninfeias de Monet enterrados sob a terra e a famosa abóbora gigante de Kusama, tudo isso cercado pelo mar. Bem-vindo a Naoshima, outrora refúgio industrial agora transformado em laboratório de arte contemporânea, onde cada canto reserva uma surpresa criativa. Entre museus escondidos na colina e obras instaladas a cada curva de uma trilha, é um pedaço do Japão onde as ruínas industriais cederam lugar à imaginação e à contemplação.
Naoshima, apelidada de “a ilha museu”, é um dos destinos mais inusitados do Japão. Antigamente território industrial onde fundições e fábricas se estendiam sobre o mar interior de Seto, esta pequena ilha de 8 km² passou por uma metamorfose radical: a arte contemporânea substituiu a fumaça das chaminés, e os visitantes agora afluem para contemplar Monet, Kusama ou Turrell em museus subterrâneos e nas praias. Entre a natureza e criações surpreendentes, Naoshima encarna a renascença espetacular de um lugar salvo pela imaginação e tornado vitrine mundial. Amantes da arte e da fotografia, preparem-se para uma jornada onde cada canto, cada casa, cada trilha reserva uma surpresa sensorial.
Das chaminés aos mestres contemporâneos
Quem apostaria que uma ilha industrial, abandonada e esvaziada de seus habitantes, se tornaria a capital da arte contemporânea no Japão? Até os anos 1990, Naoshima rimava mais com fábricas químicas do que com exposições de Monet. Diante da desertificação da ilha, a visão ousada do bilionário Soichiro Fukutake, apoiada pelo arquiteto famoso Tadao Ando, virou completamente a situação. Graças ao Benesse Art Site, o concreto das antigas fábricas se apagou em favor de museus subterrâneos e instalações ao ar livre, atraindo hoje cerca de 800.000 visitantes a cada ano.
Os habitantes, que passaram de 8000 para 3000, viram sua ilha renascer. Agora, caminhamos ao longo das colinas povoadas de esculturas em vez de tubulações, e o futuro se escreve com a tinta da arte, e não com a fuligem industrial. Um modelo de reconversão que inspira, mesmo que alguns puristas torçam o nariz diante da gentrificação artística do lugar.
A arte ao ar livre: a originalidade da experiência Naoshima
Em Naoshima, é impossível aprisionar a arte entre quatro paredes brancas. Aqui, os museus se contorcem nas colinas como se quisessem não desfigurar o contorno da ilha. O Chichu Art Museum quase se esconde sob a terra, revelando obras principais: cinco Ninfeias de Monet banhadas pela luz do sol, instalações imersivas de James Turrell ou uma esfera celestial de Walter De Maria. Mesmo as aldeias tradicionais entram na jogada, transformando casas abandonadas em Art Houses onde o visitante mergulha na luz mutável ou na mais completa escuridão.
O diálogo entre a arte e a natureza atinge seu ápice durante uma caminhada na praia, frente à icônica abóbora gigante de Yayoi Kusama. A arte surge em todos os lugares: em um píer à beira da água, nas ruas de Honmura, ou ao longo das trilhas que conectam os diferentes principais pontos. Uma imersão total, que faz de Naoshima muito mais do que um simples museu – uma obra de arte a céu aberto.
Os museus e obras emblemáticas de Naoshima
Impossível passar ao lado das estrelas da ilha. O Chichu Art Museum continua sendo o grande destaque, tão discreto por fora quanto impressionante por dentro, onde cada obra ocupa uma sala projetada como uma experiência sensorial única. A poucos passos, o Benesse House Museum mistura galerias de arte e hotel de luxo; alguns sortudos poderão até vagar sozinhos pelas salas após o fechamento.
As anexos do Benesse House (Oval, Park, Beach) multiplicam as atmosferas e oferecem vistas espetaculares entre arquitetura e paisagem. Do lado da aldeia, as Art Houses como Kadoya e Minamidera apostam na imersão total. Para os colecionadores de selfies, a abóbora amarela da praia sul e sua irmã vermelha perto do porto são verdadeiros ícones.
Adora fotografia? Naoshima está entre os destinos perfeitos para os amantes da fotografia: cada instalação, cada casa tradicional restaurada, cada perspectiva sobre o mar se assemelha a um cartão postal vivo.
Prática: como chegar, se deslocar, onde dormir
Para desembarcar na ilha da arte, nada mais simples: os ferries partem de Takamatsu (50 minutos) ou de Uno em Honshu (20 minutos). Uma vez no local, a bicicleta (preferencialmente elétrica!) se torna o melhor amigo do visitante. Embora um ônibus conecte os principais pontos, a liberdade de pedalar entre praias e colinas é irresistível.
Quanto à hospedagem, o leque vai do camping mais espartano às suítes luxuosas do Benesse House (reserva antecipada aconselhada na alta temporada ou durante a famosa Triennale de Setouchi), passando por minshuku familiares e pousadas descoladas para mochileiros. Atenção, a demanda explode no verão! Dicas e inspirações para organizar sua viagem ao Japão podem ser encontradas neste guia completo do Japão.
Rumo às ilhas vizinhas da arte
A aventura artística não para em Naoshima! A poucos minutos de ferry, descubra Teshima e seu museu-gota d’água imaginado por Ryue Nishizawa, onde a água serve como obras de arte vivas sobre um chão de concreto. Mais misteriosa, Inujima abre ao público as ruínas de uma refinaria de cobre reconvertida em labirinto de instalações. Aqui, a Triennale de Setouchi despliega a cada três anos obras efêmeras em uma série de ilhas, a serem exploradas sem moderação graças ao passe de ferry ilimitado do festival.
Precisa de inspiração para sua viagem cultural ou desejo de (re)conhecer os destinos imperdíveis para os apaixonados por arte? Consulte esta seleção de viagens culturais e artísticas.
Dicas inteligentes e truques para explorar Naoshima
É melhor evitar Naoshima durante a Golden Week e nos fins de semana japoneses: a ilha se transforma em uma formigueiro e as filas fazem você perder alguns anos de expectativa de vida. Para aproveitar plenamente a magia dos lugares, aposte em dois ou três dias, especialmente se deseja fazer uma visita a Teshima ou Inujima.
Atenção ao orçamento: o preço das entradas (até 1500 ienes por museu, sem contar o passe Art House), hospedagem (a partir de 8000 ienes em minshuku com refeições, um rasgo lírico para o Benesse House), e alimentação que pode ser um pouco cara. O aplicativo Benesse facilita a gestão de horários e locais, mas tenha dinheiro à mão: o cartão não é aceito em todos os lugares e todos os museus fecham na segunda-feira, exceto durante a Triennale.
Um lembrete para os compulsivos por fotos: a fotografia é proibida no interior da maioria dos museus. Guarde sua câmera para as paisagens, as abóboras de Kusama ou a luz dourada sobre o mar de Seto. A cada esquina, uma microaventura estética o aguarda neste minúsculo pedaço do Japão onde a arte contemporânea reina suprema.