A colina de Hillwood em Washington D.C.: uma impressão europeia no coração da capital americana

Escondida longe da agitação de Washington D.C., a Hillwood Estate intriga por sua atmosfera europeia e sua elegância excêntrica. Verdadeiro castelo contemporâneo à americana, este domínio histórico surpreende tanto por seus jardins opulentos quanto por suas coleções dignas de um museu imperial. Da paixão de sua proprietária, Marjorie Merriweather Post, pela arte e cultura do velho continente à sumptuosidade de seus salões e estufas florais, Hillwood é uma viagem atemporal, onde a história da América encontra os códigos da antiga Europa. Deixe-se levar por uma visita cheia de cores, onde cada canto revela uma história fascinante e um perfume de elegância atemporal.

Um castelo atemporal no coração da capital

Entre as azáleas em flor, os campanários dos dogwoods perfumados e o elegante seixo que estala sob os pés, a colina de Hillwood surpreende por sua incrível capacidade de fazer esquecer os ruídos e o ritmo frenético da cidade vizinha. Mal atravessada a entrada monumental adornada com mármore e hera, o visitante mergulha em um cenário digno de um conto de fadas — ou, pelo menos, de uma saga de aristocratas.

Esta majestosa residência foi adquirida na década de 1950 por Marjorie Merriweather Post, herdeira visionária e apaixonada pelas coisas belas. Ela transformou esta propriedade chamada “Artemis” em um verdadeiro palácio dedicado à arte e à história. Desde sua concepção, Hillwood foi planejada para se tornar um museu após a morte de sua proprietária: cada sala, cada objeto foi cuidadosamente disposto e catalogado com uma meticulosidade rara, até mesmo na escolha da iluminação e do controle de temperatura.

O brilho da coleção russa

Impossível falar de Hillwood sem mencionar a fascinação de Marjorie pela Rússia imperial. Difícil de acreditar, mas bem no meio de Washington repousa aqui uma das mais importantes coleções de artes decorativas da dinastia Romanov fora de Moscou! A sala de recepção dedicada à Rússia transborda de tesouros da corte imperial: ovos de Fabergé cintilantes, samovar de ouro delicadamente cravejado, porta-cigarros incrustados de pedras preciosas — tudo está lá para reviver os luxos de uma época passada, onde a beleza do objeto rivalizava com a riqueza da história.

Cada elemento lembra a sagacidade de Marjorie, que soube aproveitar a dispersão dos bens imperiais durante as convulsões da Revolução Russa para enriquecer sua coleção. Através de suas vitrines, Hillwood conta não apenas a paixão de uma mulher extraordinária, mas também o encontro inesperado de dois mundos e dois continentes.

Um toque da Ásia nos jardins japoneses

A viagem não para na Rússia! Alguns passos são suficientes para alcançar o espaço japonês, onde a sobriedade minimalista contrasta agradavelmente com a desmedida das salas de baile europeias. Porta deslizante, vista calma para o jardim zen, caixas laqueadas alinhadas com cuidado, quimono bordado à luz suave: aqui, a arte do detalhe e da serenidade é soberana. Os biombos pintados evocam as mudanças das estações, enquanto um queimador de incenso raro e os utensílios de chá revelam um gosto acentuado pela estética nipônica.

Marjorie só confiava na excelência do savoir-faire, na autenticidade dos materiais e na poesia do gesto. Uma prova de que o ecletismo de Hillwood não era obra do acaso, mas sim um desejo de integrar as mais belas influências do mundo todo em um abrigo pessoal.

Salas de gala, teatro privado e paixão pelos relógios

Hillwood não é apenas uma galeria de arte privada: também é um lugar vibrante, pensado para impressionar, receber e deslumbrar. Entre as curiosidades inesperadas, seu adorável teatro Art Déco — um pequeno tesouro para projetar filmes entre amigos — mas também um canto para o café da manhã banhado de sol, onde se imagina facilmente compartilhar croissants e confidências. A sala de jantar, digna de um banquete real, exibe uma mesa maciça que exala os luxos de outrora e uma lareira coberta de relógios raros: verdadeiras obras de relojoaria, algumas intrigando por seu mecanismo ou pela originalidade de sua forma.

As exposições especiais são muitas. Um evento particularmente aguardado pelos amantes de belas máquinas: a exposição “Clocks: Artistic Interpretations of Time”, prevista para fevereiro de 2026, que explorará a relação entre arte, tempo e tecnologia através das coleções da casa.

Jardins sublimes inspirados na Europa

No exterior, Hillwood evoca um pequeno Versalhes na plena América! Os jardins se enfeitam com tulipas, azáleas e rododendros, formando um quadro floral de simetria perfeita. O canteiro à francesa, cortado a fio, rivaliza com a poesia das rochas japonesas, o murmúrio da cascata e a beleza tranquila da lagoa com carpas.

Não muito longe, o roseiral aguarda ansiosamente suas primeiras flores, enquanto a estufa, verdadeiro museu das orquídeas, revela uma explosão de flores exóticas. Sua frescura e diversidade ajudam a decorar salões e mesas ao longo do ano, como se em Hillwood, cada manhã fosse uma primavera perpétua.

O iate Sea Cloud e a “dacha” exótica

À beira do jardim, uma construção menor chama a curiosidade: a dacha, um pavilhão de verão inspirado no modo de vida russo. No interior, uma exposição cuidadosamente montada homenageia o Sea Cloud, o maior iate de vela privado do mundo em seu lançamento em 1931. Este palácio flutuante, adornado com cristal Baccarat e dourados Luís XIV, serviu de residência móvel para Marjorie, que ali ancorava em Versalhes… sobre o mar.

Durante a Segunda Guerra Mundial, privada de descendentes para ir à frente, Marjorie “emprestou” seu navio como contribuição ao esforço. As fotos da época, mostrando-a na proa ao vento, acrescentam ao mito de uma vida decididamente extraordinária.

Uma visita incomum para pequenos e grandes

Com seu legado, Hillwood não é apenas um endereço de ricos herdeiros: é um convite à descoberta, à contemplação, ao devaneio. Caminha-se com a família ou entre entusiastas da história, faz-se piquenique na grama entre duas visitas guiadas, e se passa tempo em uma espreguiçadeira sob o olhar distante do Monumento a Washington ao longe. As visitas guiadas da mansão e dos jardins prometem uma imersão tão divertida quanto instrutiva, seja admirando a louça de porcelana ou adivinhando a fragrância delicada de uma flor recém-aberta.

O estacionamento é gratuito, o café oferece uma pausa gourmet e os vastos espaços verdes convidam a flanar. Verdadeira pausa encantada, Hillwood infunde em Washington um pouco da sofisticação europeia que se acreditava reservada aos velhos palácios do Velho Continente.

Aventurier Globetrotteur
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