Os atores do turismo ultramarino mobilizados para promover seus destinos na feira TopRésa em Paris

EM RESUMO

  • Abertura do salão IFTM Top Résa na Porte de Versailles (Paris): três dias para avaliação de temporada e parcerias.
  • Presença marcante dos territórios ultramarinos, das Caribe ao Oceano Índico, com um objetivo de conectividade reforçada.
  • A Réunion: nova ligação Frankfurt–La Réunion via Maurício com Condor e Air Austral (4 rotas/semana); foco na África do Sul, Bangkok e na Ásia.
  • Guadalupe: 19 expositores e acolhimento do departamento de turismo de Saint-Martin; temática das pontes e sinergias ultramarinas.
  • Mayotte: retorno pós‑ciclone Chido; contratos visados com operadores turísticos para a clientela metropolitana e europeia.
  • Inovação: Otropik Guadalupe aposta na imersão e em acomodações fora da hospitalidade clássica, longe do turismo de massa.
  • Guiana: posicionamento Amazônia Francesa; atividades em alta (+13% em 2024, +5% no início de 2025).
  • A Réunion (números): 270 000+ turistas no início de 2025 (+3% em relação a 2024); receitas +3,5%; implementação de um plano de resiliência frente às crises climáticas e melhor comunicação de crise com o aeroporto de Saint-Denis.
  • Também presentes: Saint-Pierre-e-Miquelon e a Martinica, entre mais de 1 500 estandes.

No coração do parque de exposições da Porte de Versailles, o salão IFTM Top Résa reúne durante três dias os principais atores do turismo ultramarino que vieram promover seus destinos, selar parcerias e ajustar suas estratégias. A Réunion fortalece sua conectividade aérea, Guadalupe tece pontes regionais, Mayotte exibe sua resiliência pós-ciclone e a Guiana aposta na inovação e na natureza como marca registrada. Entre assinaturas de convênios, novas ligações, ofertas de imersão e planejamento de gestão de crises, esses territórios ultramarinos se mostram ao mesmo tempo ofensivos e solidários, em um contexto de aumento na frequência e nas receitas.

Na efervescência de um encontro B2B que reúne companhias aéreas, hotéis e governos locais, os destinos ultramarinos multiplicam os encontros. Objetivo: elaborar um diagnóstico preciso da temporada, consolidar alianças com operadores turísticos internacionais e aumentar a visibilidade de suas ofertas. Em mais de 1 500 estandes, as Caraíbas e o oceano Índico fazem valer seus atributos, com uma vontade comum: melhorar o acesso, diversificar as experiências e garantir a recepção dos visitantes.

Essa mobilização ocorre enquanto os profissionais refinam suas respostas às mudanças do mercado: aumento das viagens experienciadas, expansão dos micro-estadias altamente cenarizadas e novas expectativas em relação à sustentabilidade e à gestão de riscos. O clima é decididamente construtivo, reforçado pela ideia de que a cooperação inter-ilhas e a mutualização das redes são alavancas-chave.

Ao longo das conversas, vários anúncios estruturais marcam o salão: acordos de co-marketing, fam trips, facilitação das conexões e portfólios de experiências reconfigurados para seduzir clientelas europeias e regionais. A assinatura de novas rotas, a união de estandes e a presença coordenada de múltiplos operadores ilustram uma estratégia de “frente unida” ultramarina para ganhar em poder comercial.

Reforçar a conectividade aérea: o exemplo de A Réunion

Emblema de uma estratégia de abertura, A Réunion oficializa uma nova ligação entre Frankfurt e a ilha, via Ilha Maurício. O serviço, operado pela companhia alemã Condor em parceria com Air Austral, prevê quatro rotas semanais iniciadas desde agosto. Além do mercado alemão, a ilha visa um melhor acesso a partir da Bélgica e do Reino Unido, enquanto trabalha em conexões para a África do Sul e a Ásia (até Bangkok), a fim de ampliar o espectro dos fluxos.

Essa dinâmica é sustentada por sinais encorajadores: mais de 270 000 turistas escolheram A Réunion desde o início do ano de 2025, uma progressão de cerca de 3% em relação a 2024, enquanto as receitas turísticas aumentam em 3,5%. Com a presença de 26 profissionais e do comitê regional de turismo no salão, o destino reafirma sua trajetória: agilizar a conectividade, tranquilizar os viajantes e consolidar a elevação da qualidade.

Antecipar os riscos climáticos e integrar a comunicação de crise

Consciente da recorrência dos fenômenos meteorológicos, A Réunion implementa um plano de resiliência setorial. Os atores se alinham para integrar o turismo na comunicação de crise e coordenar a informação com o aeroporto de Saint-Denis, a fim de evitar a ansiedade dos passageiros, otimizar os planos de redirecionamento e garantir a continuidade da experiência, mesmo em contextos adversos. O objetivo é claro: que o visitante saiba precisamente “o que fazer” e que o destino possa se reconfigurar rapidamente após um episódio extremo.

Guadalupe e Saint-Martin: pontes para ganhar força

A Guadalupe chega em peso com 19 expositores e, em uma novidade marcante, o Escritório de Turismo de Saint-Martin presente em seu estande. No espírito do salão, que promove as pontes, as ilhas apostam na complementaridade e nos itinerários combinados. Essa rede nutre uma promessa de cliente mais robusta: estadias multi-escalas, logística facilitada e ofertas temáticas melhor calibradas para os mercados europeus.

O destino valoriza também a imersão e os circuitos fora das trilhas tradicionais. À semelhança de Otoprik Guadalupe (jovem estrutura apoiada por empreendedores locais), as acomodações alternativas e as experiências em menor escala atraem uma clientela em busca de autenticidade, longe do turismo de massa. Nessa evolução, o papel dos criadores de conteúdo torna-se estratégico: compreender os rendimentos dos influenciadores no turismo e estruturar colaborações éticas permite aumentar o alcance sem desvirtuar os territórios.

Experiências diferenciadas e marketing de afinidade

A Guadalupe aposta em alavancas afins: gastronomia crioula, atividades náuticas, culturas caribenhas, mas também micro-aventuras na natureza. Em segundo plano, a movimentação dos visitantes entre as ilhas vizinhas torna-se uma vantagem competitiva, especialmente para mercados que buscam estadia combinadas e narrativas coerentes.

Mayotte: reconquista gradual após o ciclone

Oito meses após a passagem do ciclone Chido, Mayotte se apresenta no salão com determinação. A agência de atração e de desenvolvimento turístico, acompanhada de sete profissionais, ambiciona assinar vários acordos com operadores europeus. Os responsáveis sabem que o retorno à normalidade ocorrerá por etapas: o objetivo é interpelar os mercados metropolitanos, reativar a demanda em ondas sucessivas e instalar confiança através de uma comunicação transparente e de parceiros comprometidos.

A estratégia mahorense destaca a riqueza do lago, a descoberta das aldeias, o contato com os artesãos e o desenvolvimento das acomodações. A trajetória se pretende gradual, mas decisivamente voltada para a recepção e qualidade de serviço.

Guiana: a Amazônia Francesa como assinatura

Em busca de inovação e do inusitado, a Guiana valoriza uma posição única: a Amazônia Francesa, singular em seu gênero. Como resultado, uma progressão de 13% no setor em 2024 e já +5% adicionais no início do ano de 2025. O destino se junta aos grandes, capitalizando sobre a biodiversidade, os rios, as culturas locais e um imaginário poderoso, enquanto moderniza suas narrativas e canais de vendas.

Esse crescimento ressoa com tendências internacionais: a diversificação das clientelas por comunidades de paixão (esporte, natureza, cultura, ciências) ou ainda o crescimento de eventos híbridos. Em nível global, o impacto dos jogos eletrônicos e do esports no turismo abre novas perspectivas de ativação: festivais, encontros criativos, circuitos temáticos. Outra fonte de inspiração: o turismo de ciclismo no Ruanda, que ilustra como um esporte pode estruturar um destino e suas repercussões econômicas, da hotelaria ao evento.

Dados em alta e consolidação da oferta

Impulsionada por essas boas performances, a Guiana continua a estruturação de suas cadeias: guias naturalistas, acomodações imersivas, itinerários no alto Maroni, turismo científico e observação da fauna. A elevação da qualidade acompanha um trabalho sobre a distribuição e o empacotamento de ofertas adaptadas para estadias longas e escapadas direcionadas.

Um salão vitrine e trampolim para os ultramarinos

Além desses polos, a presença de Saint-Pierre-e-Miquelon e da Martinique confirma o papel do IFTM Top Résa como uma grande vitrine dos ultramarinos. Esta plataforma oferece retornos de experiência, encontros com a imprensa e a possibilidade de benchmarking com outros territórios. Assim, quando um salão no exterior destaca uma temática promissora – como em Rimini em torno de certos destinos – os profissionais franceses podem adaptar esses ensinamentos à sua realidade insular.

O posicionamento de marca, por sua vez, também se afina pela narrativa. A maneira como uma região metropolitana constrói um imaginário diferenciador – à semelhança de uma Normandia valorizada como “única” por seus atributos culturais e naturais – nutre as reflexões ultramarinas. O desafio permanece traduzir patrimônios ricos em experiências atuais: circuitos patrimoniais contemporâneos, festivais responsáveis, hospitalidade charmosa e conexão fluida entre arquipélagos.

Nesse contexto, a rede, a engenharia de marketing e a conectividade permanecem as palavras-chaves. O salão atua como um acelerador onde se fecham negócios, são abertas linhas e se consolidam coalizões insulares capazes de atuar a nível internacional.

Aventurier Globetrotteur
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