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EM RESUMO
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O turismo está passando por uma transformação profunda impulsionada pelas tecnologias emergentes: realidade virtual, objetos conectados, inteligência artificial… Essas inovações abalam os modelos tradicionais ao oferecer novas experiências imersivas, ao simplificar o acesso aos serviços e ao abordar questões importantes como o surturismo, a inclusão e a transição ecológica. Este artigo explora como essas tecnologias redefinem a relação com a viagem, abrindo caminho para um turismo mais sustentável, mais responsável e totalmente conectado às expectativas contemporâneas dos viajantes e profissionais.
Turismo e tecnologias emergentes: uma aliança estratégica para a sustentabilidade
A integração das tecnologias emergentes no setor turístico significa muito mais do que uma simples modernização: representa uma verdadeira mudança de paradigma. O objetivo dos gestores de destinos e das empresas agora é combinar atratividade, inclusão e sustentabilidade, graças a ferramentas digitais capazes de repensar a experiência do viajante e os modelos econômicos tradicionais. Plataformas comprometidas com o turismo eco-responsável enfatizam: a tecnologia deve ser vista antes de tudo como uma alavanca, não como um fim em si mesma.
Graças à realidade virtual (VR) e à realidade aumentada (AR), cada visita se transforma em uma aventura imersiva, onde o visitante explora museus, hotéis ou locais históricos de forma diferente, muitas vezes respeitando as restrições ecológicas e sociais. Os objetos conectados (IoT), a IA e até mesmo os assistentes virtuais personalizam os percursos, fluindo os fluxos turísticos e reduzindo o consumo energético.
Por exemplo, a consideração das gerações mais jovens, sensíveis ao bem-estar animal e a uma experiência de viagem responsável, é abordada nesta análise dedicada às novas expectativas dos viajantes.
Responder ao surturismo e gerenciar o crescimento dos fluxos
Diante da explosão do número de turistas no mundo, importantes locais patrimoniais estão sofrendo uma pressão inédita, com a concentração da maioria dos viajantes em uma minoria de destinos. Essa situação coloca em risco o equilíbrio local, a preservação do patrimônio e a qualidade das experiências. As tecnologias imersivas e as ferramentas inteligentes abrem novas perspectivas para descongestionar os locais e redistribuir os fluxos de visitantes.
Ao adaptar a gestão de reservas e otimizar operações através da travel tech, é possível responder melhor aos desafios ecológicos e logísticos. As empresas e instituições turísticas estão, assim, investindo em aplicativos inovadores para personalizar ofertas, otimizar a ocupação e direcionar os fluxos para destinos menos frequentados. Outras estratégias, explorando o voluntariado e a mobilidade sustentável, são abordadas neste artigo sobre voluntariado e deslocamentos turísticos.
Turismo imersivo: reduzir a pegada de carbono e reforçar a inclusão
Recorrer à realidade virtual oferece uma resposta concreta à redução da pegada de carbono do setor. Organizar uma visita ao Machu Picchu ou à Notre-Dame de Paris em VR, em vez de presencial, reduz significativamente as emissões de CO₂ associadas ao transporte aéreo em massa. O impacto climático das viagens aéreas continua a ser uma questão importante à qual essas soluções virtuais oferecem as primeiras respostas.
A acessibilidade também está passando por avanços espetaculares graças à automação, à tradução automática e às interfaces de voz multilíngues. Esses avanços permitem que públicos distantes ou com deficiência desfrutem de experiências enriquecidas e adaptadas, democratizando, assim, o acesso à cultura e à viagem.
Objetos conectados e inteligência artificial: em direção a uma experiência fluida e responsável
A chegada dos objetos conectados e da inteligência artificial transforma radicalmente a gestão das infraestruturas turísticas. Sensores, coletando em tempo real a frequência, otimizam a distribuição dos fluxos e preservam a tranquilidade dos locais. Em acomodações, a automação ajusta automaticamente a temperatura, a luminosidade ou o uso da água, atendendo à demanda crescente por sustentabilidade dos viajantes. Segundo alguns estudos, mais de 75% dos visitantes consideram o compromisso ecológico de um estabelecimento ao fazer sua reserva.
Do lado das empresas, essas tecnologias oferecem tanto eficiência operacional quanto argumentos de comunicação. Elas abrem o caminho para novas receitas através da bilheteira virtual, assinaturas e marcas territoriais, enquanto contribuem para uma imagem moderna e comprometida.
Para facilitar a organização de deslocamentos profissionais, a tecnologia também oferece ferramentas preciosas, como ilustrado nesses conselhos dedicados às viagens de negócios na era digital.
Phygitalização e ancoragem territorial: valorizar cada destino
Ao reforçar a experiência física com dispositivos digitais adequados, o turismo moderno participa da valorização de patrimônios pouco explorados. Museus digitais, visitas geolocalizadas em VR ou centros de arte imersivos criam valor fora das metrópoles, favorecendo a diversificação das receitas para as PME e a ancoragem territorial.
O surgimento de lugares híbridos, a criação de conteúdos co-construídos e a mobilização das infraestruturas locais ilustram essa vontade de estimular o desenvolvimento econômico enquanto reforçam o vínculo entre o público e os territórios.
Tecnologias e sustentabilidade digital: um equilíbrio a ser encontrado
O desenvolvimento rápido do digital não é sem consequências para o meio ambiente. A fabricação de equipamentos e a gestão de datacenters contribuem amplamente para a pegada de carbono global. O desafio, para os profissionais e instituições, é priorizar um uso consciente: prolongar a vida útil dos equipamentos, compartilhar infraestruturas ou ainda sensibilizar os visitantes sobre a maneira de controlar seu consumo de energia digital.
A inovação responsável também envolve a associação dos atores locais, das coletividades e dos usuários para integrar a sustentabilidade desde a concepção dos serviços turísticos.
Em direção a modelos econômicos e sociais renovados
O investimento nas tecnologias emergentes do turismo estimula a criação de novos modelos econômicos. Bilheteira desmaterializada, assinaturas à distância, diversificação das ofertas: essas soluções permitem prolongar a experiência do cliente além da estadia física e fidelizar uma clientela mais ampla.
No entanto, as empresas devem esclarecer suas ambições: é colher novos visitantes, incluir públicos excluídos, fomentar a descentralização ou a eco-responsabilidade? O sucesso desta transição dependerá da qualidade da engenharia de projeto, da capacidade de medir finamente os impactos e da pertinência das parcerias locais mobilizadas.
Oportunidades de apoio existem, através de ajudas regionais, dispositivos Bpifrance ou acompanhamentos setoriais, como ilustrado nas ações realizadas para preparar o setor para a internacionalização e a resiliência.
Quando o turismo espacial e as inovações digitais se encontram
O apelo do turismo espacial, popularizado por grandes players do setor, revela os limites ambientais das novas imaginações de viagem. Se um voo orbital gera emissões muito superiores a um deslocamento terrestre tradicional, as experiências imersivas permitem explorar o espaço sem sair da Terra. Algumas startups já estão oferecendo viagens virtuais inspiradas pela perspectiva única do planeta visto do espaço, oferecendo uma alternativa responsável àqueles que sonham em escapar sem impacto negativo ao meio ambiente.
No cruzamento do digital, da sustentabilidade e da diversidade de experiências, o turismo do amanhã se apoia na tecnologia para inventar uma nova relação com os territórios, baseada na inovação responsável e na inclusão.