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EM RESUMO
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Ícone da viagem de baixo custo desde 1973, o Guia do Routard se oferece uma nova era com uma discreta, mas simbólica mudança de direção: ele se junta oficialmente à casa Hachette Livre, que já o apoiava nos bastidores há décadas. Nascido de um caderno de viagens e tornado um companheiro de mochila, este totem do “partir leve” promete outras escapadas, entre espírito livre, conselhos astutos e desejos de novos horizontes.
O Guia do Routard vira uma página de sua história: nascido de um caderno de viagem rabiscado na “rota das Índias”, tornou-se a estrela da viagem esperta e livre, e muda hoje de mãos ao mesmo tempo que permanece na galáxia Hachette Livre, que o acompanha há décadas. De seus começos à consagração, da irrupção da Internet ao crescimento do turismo sustentável, esta nova era promete aliar herança e renovação editorial, com impactos muito concretos para os viajantes — da organização das viagens aos pequenos detalhes práticos que fazem uma grande jornada.
A passagem de bastão que gera conversa
Ícone da “viagem à francesa” desde 1973, o Guia do Routard muda de mãos. O símbolo é forte: a coleção, já editada e distribuída pela Hachette Livre há muito tempo, se junta completamente à casa. No programa, uma promessa de ferramentas cada vez mais práticas, sem renunciar ao espírito rebelde e ao tom cúmplice que fizeram sua lenda. Aqui se fala de um verdadeiro ajuste de rumo: mais sinergias, mais inovação e — esperamos — a mesma liberdade de tom irreverente que dá vontade de arrumar a mochila e sair na sexta-feira à noite.
O que isso muda para os viajantes
Concretamente, essa mudança de direção pode acelerar a atualização das informações, modernizar o ecossistema digital e ampliar a oferta França/Europa, onde o Routard é rei. Melhor equipados, os autores e as equipes editoriais devem navegar mais rapidamente entre as novidades, seja em tendências de fundo ou em micro-eventos que alteram nossos hábitos de partida. Pensamos, por exemplo, nos debates sobre a mudança das estadias de sábado a sábado na alta temporada, ou ainda nas evoluções dos trilhos — até a mudança de assentos da SNCF — que influenciam, mesmo que indiretamente, nosso conforto e nossa maneira de percorrer a Hexágono.
Dos começos de mochila à entrada na Hachette
A rota das Índias, a centelha
Tudo começa em 1970, quando Philippe Gloaguen, mochila às costas e fome de mundo, anota suas notas de viagem em direção à Índia. Seu relato inspira um artigo na revista Actuel, essa incubadora de ideias livres onde a palavra “routard”, popularizada por Jean-François Bizot, se torna estandarte de uma geração que parte sem alarde, mas com uma bússola interior.
1973: primeiro guia, espírito largo
Com Michel Duval, Gloaguen publica em abril de 1973 um guia como nenhum outro: sem turismo organizado, mas com conselhos astutos, uma linguagem vibrante, planos para orçamentos pequenos, endereços humanos. O DNA está presente: uma promessa de viagem em liberdade, de curiosidade e de encontros que fazem tanto a viagem quanto o destino.
1975: o grande salto com a Hachette
A partir de 1975, a distribuição e a edição são organizadas na Hachette. Alguns títulos “continente” e, muito rapidamente, um sucesso duradouro: o Manual do Routard se torna cult, a coleção se expande, o público a acompanha. A alquimia é selada: pragmatismo editorial e espírito vagabundo podem conviver em harmonia.
O sucesso e a ascensão
A França, também um terreno de aventura
Nos anos 1980, o Routard olha para fora de suas janelas e descobre que a França é um continente. Finais de semana perto de casa, escapadas maravilhosas e desvios que não são mais: de repente, Brest, Ajaccio, Lille ou Estrasburgo tornam-se o fim do mundo quando explorados com curiosidade.
Anos 90: consagração e aposta na Internet
Nos anos 1990, o Routard se impõe como a primeira coleção de guias francófonos. E, visionário, lança-se na Web desde 1996 para falar diretamente com os viajantes. Lá se encontram informações, fóruns e esse tom meio provocador, meio cúmplice que explica porque seguimos seus conselhos como se ouvisse um amigo experiente.
Anos 2000: foco no turismo responsável
A coleção ganha em profundidade cultural e aborda temas antes de seu tempo: turismo sustentável, viagem responsável, pegada de carbono e bom senso na estrada. Conselhos úteis, mas também ética de viagem: respeitar os lugares, as pessoas, as estações. Não apenas partir, mas partir bem.
2025: uma passagem de bastão e desafios muito concretos
Dos museus ao clima, as novas narrativas de viagem
Viajar em 2025 também significa entender como o mundo muda. As instituições culturais se reinventam, e algumas abordam a questão climática. A esse título, o panorama de cinco museus que contam a mudança climática mostra que nossos itinerários ganham ao misturar o prazer de descobrir e a reflexão sobre a época. O Routard tem o hábito de construir essas pontes inteligentes — aprender enquanto se passeia, emocionar-se enquanto se cultiva.
Prático, prático, prático: o que muda e que se deve saber
A viagem também é uma questão de detalhes que não o são. As mudanças nos calendários na alta temporada, com o famoso retorno às estadias de sábado a sábado, podem balançar seus preços, seus trajetos, seus horários de chegada. No lado ferroviário, a mudança dos assentos da SNCF acompanha um conforto em transformação, a ser acompanhada de perto para viagens longas. E em campo, até mesmo o endereço de um escritório de turismo pode mudar em nome da excelência: é melhor verificar antes de aparecer com a mochila. O Routard, em sua nova formulação, tem todo o interesse em centralizar essas pequenas informações que mudam tudo.
Orçamento e acomodações: novas regras do jogo
As normas evoluem, e com elas seu orçamento. A fiscalidade dos imóveis de turismo em 2025 redistribui as cartas para os fornecedores de hospedagem, com um impacto potencial na oferta e nos preços. Um guia atualizado é duplamente útil: para encontrar o endereço certo E para entender o contexto econômico que explica o preço exibido. Transparência, gambiarras, e a pequena frase que evita que você pague o preço cheio: tudo que se espera de um guia astuto.
Um legado a preservar, uma modernidade a inventar
O tom do Routard: afiado, vizinho, cúmplice
Abrimos um Routard como se enviássemos uma mensagem a um amigo: “Você tem um plano?”. No ideal, a nova equipe mantém essa voz direta, às vezes impertinente, sempre prática. O segredo: contar as cidades e as estradas com humor, sem pose, destacando o que conquista — a pequena cantina da esquina, o bistrô onde se conversa, a caminhada que faz esquecer a hora.
Do papel ao digital, uma mesma bússola
Independentemente do suporte, o que conta é o espírito. Papel no bolso, aplicativo no smartphone, site favorito: um guia moderno cruza mapas, dados atualizados e feedbacks do campo. Neste jogo, o legado do Routard — sua comunidade, seu talento, sua rede — é um combustível incrível. A nova era pode torná-lo um motor híbrido: cheio de histórias, repleto de boas dicas, reativo às mudanças.
França, Europa, mundo: a arte do desvio inteligente
Olhar perto, ver longe
De Paris a Lyon, de Nantes a Nice, de Bordeaux a Toulouse, os destinos familiares tornam-se empolgantes quando se sabe onde olhar. O Routard construiu sua reputação com esses desvios inteligentes. Sua nova vida deve amplificar essa arte de abrir portas onde só víamos paredes — e sussurrar o endereço que não estava aqui ontem, mas fará a diferença amanhã.
Manter a curiosidade, sempre
O mundo muda, os guias também. Entre novas mobilidades, questões climáticas, fiscalidades em mutação e escritórios que se reinventam, o caminho é lido de outra forma. O grande desafio desta nova era é manter-se fiel à aventura enquanto a ilumina ainda melhor. Um guia que o faz querer partir, mas também os meios de se preparar bem — essa é a promessa.